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Streamers, os novos jornalistas da Internet

Streamers, os novos jornalistas da Internet

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A Internet trouxe novas possibilidades e transformou o cidadão comum num verdadeiro produtor de informação, muitas vezes equiparado a um jornalista. O fenómeno nasceu nos Estados Unidos da América e conquistou uma série de jovens que, de smartphone na mão, se dedicam à cobertura de factos de uma perspetiva que escapa aos media tradicionais. Chamam-se streamers.

A massificação da tecnologia e consequente redução de preços fez com que qualquer um pudesse criar e transmitir os seus vídeos de forma fácil e gratuita. É o caso de CrossXBones que decidiu largar o seu emprego  como engenheiro informático para se transformar num streamer a tempo inteiro. Com uma vida errante, vai atrás das manifestações e regista os momentos que, a seu ver, merecem atenção.

Uma ligação em banda larga permite-lhe filmar e transmitir para centenas de pessoas através do seu canal do UStream. A vontade de contar histórias coloca-o, frequentemente, em situações perigosas. Descrevendo-se como um “jornalista de rua“, habituou-se a andar com um capacete e com uma máscara antigás na mochila.

A grande maioria dos streamers não tem qualquer formação em jornalismo e são muitos os que acumulam a função de produtores de informação com o papel de intervenientes nas próprias manifestações em que participam. É comum encontrarmos transmissões com insultos mas, por oposição, são também vários os que procuram pôr em prática os princípios da imparcialidade e objetividade.

Occupy Wall Street: o nascimento de um fenómeno

Embora os sites de transmissão de televisão online já existam há vários anos, o fenómeno do jornalista streamer é bastante recente. O boom ocorreu em 2011 e está associado ao movimento Occupy Wall Street (OWS), amplamente noticiado em todo o mundo.

Contra a desigualdade e corrupção política e economia, o OWS assume-se como uma espécie  de organização informal, sem líderes nem representantes. O objetivo é fazer ouvir a voz de cada um e as causas são tão diversas quanto o número de cidadão que fazem parte do movimento.

O protesto com mais visibilidade, o Occupy Wall Street, começou em 17 de setembro de 2011 e teve as redes sociais como principal meio de difusão. Durante vários dias, manifestantes ocuparam o  Zucotti Park, no distrito financeiro de Manhattan, em Nova Iorque. Descontentes com a cobertura mediática dos meios de comunicação tradicionais, foram muitos os que pegaram nos telemóveis e, espontaneamente, captaram as cenas que iam presenciando.

O que não passava de uma pequena manifestação ganhou, então, contornos gigantescos e mereceu cobertura internacional. Confrontos entre polícia e civis invadiram a Internet e os vídeos chegaram inclusive a ser utilizados pelos canais de todo o mundo. “Nós somos os 99%”, eram as palavras mais usadas para designar a força da maioria, ali reunida para alertar para o 1%, representativo da corrupção política e económica.

Rapidamente, o movimento espalhou-se até às grandes cidades dos Estados Unidos – como Boston, Chicago, Los Angeles ou São Francisco – e serviu de outros que puseram fim regimes. Especialistas afirmam inclusive a existência de traços semelhantes entre o movimento Occupy Wall Street e os protestos da Praça Tahrir, que colocaram um ponto final ao regime Hosni Mubarak e deram início à Primavera Árabe.

Como vive um streamer?

Como referido acima, a maioria dos streamers não tem qualquer tipo de formação em jornalismo, nem tão pouco em captação e edição de vídeo. Mas, para muitos, não é realmente isto que importa. Mais do que quem a transmite e do que a qualidade como é transmitida, os streamers valorizam sobretudo a natureza e a importância da informação.

Sem qualquer obrigação ética e deontológica, estão apenas sujeitos aos seus próprios critérios, tocam em assuntos incómodos e transmitem aquilo que, segundo eles, merece ser transmitido. A maioria salvaguarda a sua própria identidade e mascara-se através de nick names, já que não são raras as ameaças à sua própria segurança.

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Ainda assim, alguns conhecem-se e vão trocando informações. Dicas simples, como fazer uma pausa ao fim de cada duas horas de gravação, podem facilitar o trabalho posterior de armazenar o vídeo, não correndo o risco de grandes perdas. Os mais novos são também encorajados a proteger os seus telemóveis com senhas ou programas específicos, para o caso de serem confiscados pelas autoridades.

E embora a atividade seja encarada por alguns como uma verdadeira profissão, a verdade é que os streamers não trabalham para ninguém , já que não recebem qualquer salário. Não são tão pouco freelancers, uma vez que isso implicaria submeterem-se à vontade de alguém que lhes pagaria por um determinado trabalho. Alguns vivem de donativos que lhes chegam por pessoas que assistem aos seus canais, outros vão sobrevivendo com as poupanças que foram acumulando ao longo dos anos.

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Ustream: a plataforma que permite transmitir em direto

Lançada em 2007, o Ustream é um site que permite a qualquer utilizador criar o seu próprio canal e transmitir os seus próprios conteúdos. A ferramenta é interativa e incentiva à realização de comentários em tempo real. Seja um desfile de moda, um debate político ou uma manifestação, qualquer usuário poderá falar com todos os outros e partilhar as suas ideais num chat associado ao canal.

Esta é a plataforma mais utilizada pelos streamers e permite-lhes chegar a cerca de 80 milhões de pessoas, que correspondem à totalidade de espetadores de broadcasters espalhados por todo o mundo. O serviço está disponível em versão paga e grátis e é maioritariamente financiado através de publicidade.

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