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Está na hora de definir limites para o uso do mobile?

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Está na hora de definir limites para o uso do mobile?

 

Uma investigação apresentada recentemente pelo Conselho de Segurança Nacional expôs uma das particularidades negativas do mobile: a insistência em usarmos os nossos aparelhos eletrónicos mesmo quando não o devemos fazer. Este problema causou, só em 2014, mais de 11 mil incidentes nos Estados Unidos, que resultaram no ferimento de pessoas que estavam a andar ou conduzir enquanto manuseavam os seus telemóveis.

Na tentativa de conciliarem o volante com o telemóvel, os condutores acabaram por circular a uma velocidade maior e por estar alheios ao que se passava em redor. Em média, estima-se que 21% dos acidentes de carro aconteçam porque o condutor estava a falar ao telemóvel e 5% porque estavam a mandar mensagens de texto. Os números são graves e podiam ter sido completamente evitados. Ainda assim, não é a sinistralidade rodoviária o único problema causado pelo uso do mobile.

Antes de mais, este não é um tópico de fácil discussão, uma vez que vivemos numa era em que o multitasking é recorrente. Estamos habituados a fazer uma série de coisas ao mesmo tempo: escrever um relatório, ver televisão, fumar um cigarro e comer aquela sanduíche que preparamos para o lanche. Há pessoas que fazem isto tudo ao mesmo tempo, todos os dias e de forma quase automática. Acrescentar à mistura o smartphone é muito fácil, seja para fazer um telefonema ou para mandar uma SMS rápida. Porém, está mais do que comprovado que fazer muitas tarefas relativamente complexas ao mesmo tempo resulta frequentemente num mau uso das nossas capacidades.

Inúmeros estudos ao cérebro humano confirmaram que somos  mais eficientes quando nos concentramos numa tarefa de cada vez. Como é óbvio, ao fazermos mais do que uma coisa há sempre uma delas que vai merecer menos atenção da nossa parte. Um estudo realizado pela Universidade de Stanford concluiu que quem faz várias tarefas ao mesmo tempo é menos eficientes e mais susceptível ao uso de informações irrelevantes.

Siebren Verstag realizou um vídeo chamado Neither here or there (Nem aqui ou ali) que é uma excelente metáfora artística daquilo de que estamos a falar neste post. No vídeo, temos duas imagens do mesmo espaço, lado a lado. Numa delas encontra-se um homem sentado a olhar para o seu telemóvel. Gradualmente, os pixeis que representam o homem começam a mover-se para a imagem lateral mas nunca na sua totalidade. Resultado? No fim, o homem fica fragmentando entre as duas imagens mas não fica nítido em nenhuma delas.  Não está num sítio nem noutro. Deixamos o vídeo abaixo:

 

Uso do mobile: porque usamos tanto o smartphone?

Eis então que se coloca algumas perguntas: porque insistimos em fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo? Porque razão usamos o telemóvel quando não devemos? A pressão do tempo é a principal resposta as estas perguntas. Hoje acontecem tantas coisas nas nossas vidas que se torna difícil gerir todo o tempo de que dispomos. Numa tentativa de evitar que isto continue a acontecer, procuramos fazer várias coisas em simultâneo. Marcar uma reunião por telefone enquanto conduzimos para o trabalho ou mandar um e-mail enquanto almoçamos são práticas muito comuns.

Outra resposta ao problema prende-se pela necessidade constante de nos distrairmos. O ser humano procura distanciar-se da ideia de que é apenas uma criatura que completa tarefas e procura, por isso, distrações que lhes permitam estar com outras pessoas e lugares, mesmo que esteja sentado na secretária de trabalho a terminar uma importante tarefa. Grande parte deste fenómeno acontece devido às redes sociais, como o Facebook e o Twitter, que parecem ter mudado a nossa noção sobre o tempo e o espaço. Sacar o telemóvel do bolso ou da carteira é algo que se faz num abrir e fechar de olhos e dar um saltinho a uma rede social algo que não nos toma mais do que um minuto.

 

Por fim, um dos outros motivos apontados para esta nossa necessidade de estar sempre ligado é o de demonstrar que somos pessoas ocupadas. Ao respondermos a mensagens, e-mails e comentários em locais públicos estamos a provar que existimos em mais lugares do que o “aqui e agora”. Ao que parece, há estatuto sem ser extremamente comunicativo. Quantas vezes nos deparamos com pessoas que faltam em alto e bom som ao telefone, em locais públicos?

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Todos os dias falamos da importância da tecnologia, de como a Internet está cada vez mais próxima de nós e de como o mundo está na palma da nossa mão se tivermos um telemóvel. No entanto, é preciso ponderar seriamente a necessidade de impor limites para evitar sermos controlados pelo uso do mobile. Devem os smartphones ter regras que estipulem quando devem ser usados ou não?

Tudo aponta que a regulamentação do uso do mobile em certas situações poderia surtir sucesso. Uma investigação que analisou como seria se os telemóveis fossem proibidos nas escolas constatou que o desempenho académico dos alunos melhoraria muito, principalmente entre aqueles que têm notas mais baixas. No total, acredita-se que tais alunos ganhariam mais uma hora de aprendizagem por semana.

O uso do mobile tem sido regulamentado noutros contextos. Na Austrália, por exemplo, alguns cafés não permitem que as pessoas façam os seus pedidos enquanto estão nos telemóveis. Por todo o mundo, clubes de golfe têm proibido nos seus resorts a utilização do telemóvel. Nos Estados Unidos da América, os condutores com carta há pouco tempo não podem utilizar o telemóvel, mesmo que o façam em segurança. Na Europa, quase todos os países aplicam sanções a condutores que sejam apanhados a usar um telemóvel sem auriculares. Este tipo de medidas, ainda que possam parecer exageradas, salvaguardam de certa forma a segurança e eficiência mental das pessoas.

Todavia, e a nível social e até mesmo familiar? Qual o impacto do uso do mobile? Quem tem família ou costuma participar frequentemente em eventos sociais já reparou que o smartphone se tornou no novo membro do grupo. Hoje, é muito raro que não haja pelo menos uma pessoa com smartphone e que esteja a verificar constantemente o seu aparelho eletrónico para confirmar se não recebeu nenhum e-mail, SMS ou notificação no Facebook. Estas pessoas estão, uma vez mais,  num local e noutro ao mesmo mas em nenhum dos dois a 100%. O que acontece? As capacidades de socialização sofrem um impacto ao ser necessário  um smartphone para existir comunicação, quando antes bastava o contacto direto para se ter uma conversa.

 

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Blog Mário Caetano

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