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Como as Redes Sociais provocaram a Primavera Árabe

Como as Redes Sociais provocaram a Primavera Árabe

 

Tunísia, 2010: a imolação do vendedor de rua Mohamed Bouazizi obriga à demissão do presidente tunisino Ben Ali, ditador no poder há 24 anos. Este foi o primeiro rastilho de uma chama imensa que mudou o Mundo Árabe e, em consequência, todo o globo.

Embora muitas vezes se fale em globalização os conceitos relativos à democracia, Internet ou Redes Sociais continuam a ser normalmente associados às grandes potências mundiais e, raramente, aos países do Norte de África e do Médio Oriente. A eclosão de uma série de movimentos, que ficaram conhecidos como A Primavera Árabe, colocou o foco na importância das novas tecnologias e da Internet no processo de libertação nacional de povos oprimidos.

As mudanças operadas pelas novas tecnologias em países que outrora não tinham liberdade de expressão são, atualmente, inegáveis.

Em pleno século XXI, podemos afirmar com certeza que a Internet mudou – e continua a mudar – o Mundo. Um estudo realizado pela Universidade de Washington analisou 3 milhões de tweets, milhões de gigabytes de vídeos no Youtube e publicações em blogues. A conclusão foi esclarecedora: os conteúdos que incitavam à revolução eram muito acedidos ou comentados nos dias que antecediam cada acontecimento nos países árabes que integraram a famosa Primavera Árabe.

Desta forma, iniciou-se um ciclo ampliado pela ação dos media. Nos dias depois de cada manifestação acontecia um novo boom de visitas e surgiam nas rádios e televisões todo o tipo de histórias pessoais e descrições emocionantes dos protestos. Os mesmos relatos eram colocados e difundidos nas redes sociais e na Internet, dando origem a novos protestos e alimentando a indignação da sociedade civil.

Começou a falar-se da extensão do exercício da liberdade através das redes sociais: afinal, os ativistas políticos conseguiam, agora, chegar mais perto do poder, exercendo o direito negado à democracia através da web. Vista desta forma, a Internet é uma arma poderosa contra os regimes totalitários, o que naturalmente motiva preocupações por parte dos governos opressores para controlar o ciberespaço e restringir o acesso a algumas plataformas. Aceder à Internet na China ou na Coreia do Norte não é propriamente uma actividade livre!

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Alguns autores designam esta descentralização ou aproximação ao mundo político, impulsionada pelas potencialidades da Web 2.0, por subpolítica. A verdade é inquestionável: manifestando-se contra a opressão e contra as más condições de vida, os ativistas chegaram além-fronteiras, fazendo ouvir a sua voz a um nível global, transformando finalmente as suas sociedades.

À medida que aumenta o acesso a esta rede de pessoas via computadores, smartphones e tablets verifica-se um crescimento de movimentos instantâneos. Eventos do Facebook agendados com uma hora de antecedência são capazes de mobilizar milhares de cidadãos com uma rapidez que noutros tempos era impossível. As pessoas unidas em grupos ou através de simples gostos constroem uma mensagem online comum, que transborda e influencia sobremaneira o mundo offline.

“A revolta no Egito não começou a 25 de Janeiro como muitos pensam, começou a 10 de junho com a morte de Khaled Saeed, um jovem de 28 anos de Alexandria que foi espancado até à morte por dois polícias quando exigia que os seus direitos fossem respeitados”, lê-se na descrição das motivações do grupo. Khaled Mohamed Saeed morreu em circunstâncias estranhas depois de ter sido preso. As imagens do seu corpo desfigurado viajaram de casa em casa, de computador a smartphone, impulsionando protestos e manifestações. Mais um rastilho a queimar que deflagrou na revolução egípcia.

As redes sociais derrubam fronteiras

As redes sociais e a Internet não somente instigaram movimentos de revolta. Também têm ampliado a mensagem dos pacifistas do Médio Oriente.

 

Na Palestina, os novos meios de comunicação têm sido uma forma de aproximação entre israelitas e palestinianos. Numa rede desprovida de fronteiras são vários os jovens que comunicam entre si, através da participação em redes sociais ou comunidades. O YaLa Young Leaders (pode entrar neste grupo através deste LINK), por exemplo, é um movimento online, cujo principal meio de difusão é o Facebook e que reúne mais de 440 mil membros do Mundo Árabe, desde a bacia do Mediterrâneo até à Palestina.

Este grupo foca-se no diálogo inter-comunitário com o objetivo de promover a paz e a segurança, abrindo horizontes e novas perspectivas de entendimento. Usando a Internet como principal ferramenta, o movimento reúne jovens adultos na luta pela pacificação e abertura do Médio Oriente.

Mas não é o único, existem muitos mais. À semelhança do YaLa, o Parents Circle Family Forum (acesso disponível em http://www.theparentscircle.com/) promove o contacto entre os dois lados do conflito, juntando virtualmente israelitas e palestinianos na mesma plataforma online. A comunidade, fundada já em 1995, agrupa ao todo cerca de 600 famílias que perderam entes queridos na sequência dos conflitos entre as duas fações rivais.

Criada durante a segunda intifada, no ano de 2000, também o Sulha Peace Project (pode aceder neste LINK) procura promover a união entre o povo israelita e palestiniano. “Enquanto explodiam cafés e estabelecimentos comerciais e os soldados disparavam contra uma multidão de jovens, juntamos israelitas e palestinianos num encontro humanitário e exploramos a força dos laços que nos ligam uns aos outros. Continuamos a fazê-lo desde então”, lê-se no site do grupo.

Podemos acreditar que também nos movimentos de paz o espírito que move todos estes jovens online vai mudar o mundo offline do conflito israelo-palestiniano?

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